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Monte dos Apóstolos
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Passar uns dias na região que mais convida ao descanso e ficar num monte típico que já foi pertença da monarquia. Hoje é uma grande quinta com exploração agro-pecuária e possui uma casa com as portas sempre abertas a quem vier por bem.
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Paula Oliveira Silva
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2002-10-15
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Entra-se no Monte dos Apóstolos por uma larga estrada de terra batida, ladeada de oliveiras que servem de guia até à casa principal, aliás, a única construção que se demarca da paisagem. Estaciona-se o carro e eis quando a vista não poderia ser mais alentejana. Um extenso sobreiral a perder de vista e que vai até ao monte mais próximo, que ainda assim fica longe. Pudera são apenas 315 hectares (leu bem) de exploração agropecuária. Coisa pouca... Já ali, a dominar o primeiro plano, um oásis, multiplicado por dois: as piscinas de água salgada, uma para adultos e a outra para crianças. A tentação é muita para aceitar de imediato o convite de uma espreguiçadeira ou até mesmo um mergulho, mas o tempo parece não estar virado para tais brincadeiras. Não faz mal, aguarda-se que melhore até porque há sempre alguém que espera pelos visitantes para as apresentações da praxe. Não os deixemos esperar.
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O porquê do nome
Atrás de nós, está a casa. Que nos desculpe da admiração da vista, mas até ela passa os seus dias a vigiar o sobreiral. Caiada de branco, e com as tradicionais faixas amarelas-ocre a delimitarem o edifício, aqui a tradição ainda parece ser o que era.
Este é um monte diferente. Quem espera encontrar uma casa pequena e de um só piso engana-se redondamente. Esta, que já conta com cerca de dois séculos, tem dois andares, é apalaçada e foi adquirida pela família após a decadência da monarquia. Até tem capela, ainda mais antiga do que a casa, mas por ora está a restaurar. Existe a teoria de que este templo foi sede de várias capelas, todas elas ali perto. Ao que parece, cada uma “representava” um apóstolo e esta era a principal. Por isso é que o monte tem esta designação. Não passam de teorias, mas lá que o nome é sugestivo, isso é.
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Vamos entrando
À entrada, por baixo dos nossos pés, uma data marcada na calçada chama a atenção: 1953. Não, não foi a data de construção, porque se bem nos lembramos a casa é de princípio de Oitocentos. Foi tão simplesmente, o ano em que o avô do actual proprietário arranjou o passeio. Agora não se deixem enganar.
O interior da casa tem todo o conforto que se poderia esperar de um acolhimento alentejano, onde não faltam as típicas lareiras. No bar, para além das bebidas que funcionam como chamariz, existe ainda um antigo forno a lenha. Hoje já não coze pão como antigamente, mas ainda assim, a avaliar pelo seu tamanho, é a imagem viva da quantidade de alimento que se produzia na altura. Entre patrões e empregados, todos tinham que comer.
As salas de estar e os quartos têm como característica comum o facto de serem bastante amplos. Espaço é coisa que não falta no Alentejo… nem brio. Por isso o que é mais comum é encontrar o símbolo do monte espalhado por tudo quanto é sítio. Nos atoalhados, nos lençóis e até no serviço de loiça, mandado fazer por encomenda, onde se encontram várias imagens da casa. Mas isso fica para descobrir ao pequeno-almoço, quando se provar os doces caseiros e o pão alentejano. Ou então numa refeição tipicamente regional, mandada preparar com antecedência.
E porque nem todos somos iguais, a preocupação com a circulação dos deficientes motores é uma verdadeira prioridade, a ponto de se introduzirem rampas, uma casa de banho adaptada e até um elevador. Assim é que é.
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