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Monte do Chora Cascas
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Um hino à preguiça, à calma das tardes compridas, passadas entre o descanso e o devaneio. É o apelo irrecusável do conforto deste monte alentejano.
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Paula Oliveira Silva
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2003-04-08
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Para visitar o Alentejo como ele merece, é necessário abusar nas doses de tempo que, muito bem acondicionadas, se levam na bagageira. E então tendo o destino o nome de Monte do Chora Cascas, mais forte se torna o preceito. Deste turismo rural de designação original, mas cuja razão de ser ficou perdida no tempo, pode dizer-se que é conservador na tradição todavia, audacioso na busca da originalidade. Da recuperação e ampliação da casa parece ter surgido uma nova vida, e mais do que isso, uma alma, pelo que, tentar passar aqui uns dias e ser-se indiferente ao sítio não parece ser façanha que se consiga. Pela calma que o espaço transmite, pelos recantos e ambientes, pelos sofás, cadeiras e cadeirões que, um pouco por toda a casa, puxam pela preguiça. Mas ainda pela decoração cuidada que é meio caminho andado para a paz de espírito.
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Charme e elegância
Peças actuais misturam-se com outras mais antigas. A colecção de vidros e cristais, frágil e transparente, conjuga-se com outros objectos bastante mais fortes e toscos como os ferros forjados, numa harmonia sui generis. A escolha dos materiais também não foi inocente. A tradicional tijoleira no chão e no tecto a madeira com o forro à vista são elementos denunciadores de uma riqueza de acabamentos pouco discreta, num campestre legítimo que nunca chega a ser rústico. A lareira que tanta falta faz no Alentejo, ainda reúne nas noites mais frescas e o seu vizinho piano permite que se usufrua do momento, mas apenas a quem souber manusear as teclas.
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Tudo aqui é espaçoso e confortável, a começar pelos quartos e acabando no amplo salão. Nas mesas espalhadas por esta divisão da casa, joga-se. É rei da noite o dominó e a acompanhá-lo as soberanas cartas. Mas há ainda a oportunidade de experimentar outros passatempos que permitam passar as horas de forma como só faz sentido que se passe quando se gosta do momento: devagar. Há coerência até na confusão aparente. Velas, candeeiros e candelabros por toda a casa, revistas e livros, muitas e muitos, alguns abertos a pedirem que se passe os olhos pela escrita e pelas imagens. Mais música. Quando não é o piano que encanta, fá-lo o compact disk.
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