|
Belver Monte do Carmo Hotel Rural - Évora
|
|
Santo descanso.
|
|
Paula Oliveira Silva
|
|
|
|
|
|
Não são só os fiéis à Senhora do Carmo que vêm cumprir promessas ao santuário situado no meio do campo, na povoação da Azaruja, perto de Évora. Nos edifícios à volta da igreja - onde outrora se instalavam o padre, seus ajudantes e os peregrinos - ficam hoje os hóspedes do Belver Monte do Carmo Hotel Rural, que vêm testemunhar como são uns dias de descanso no meio da Natureza.
|
|
|
|
Integrado numa propriedade de 920 hectares (leu bem), o Belver Monte do Carmo tem vocação ecológica, desde logo denunciada pela piscina biológica que os menos conhecedores poderão confundir com um simples lago. Mas o leitor avisado, já sabe do que se trata.
Tocar o sino
A aproximação ao Belver Monte do Carmo Hotel Rural faz-se por uma lenta estrada de terra batida que qualquer automóvel ligeiro, por menos fôlego que tenha, vence sem maiores dificuldades. Estes dois quilómetros são percorridos por entre pastagens de animais ruminantes que, do lado de lá das sebes, se anunciam pelos chocalhos em coro.
Chegado ao destino, caso não esteja ninguém na recepção, toque o sino. É com esta informação que se deparam os visitantes. Neste primeiro edifício, a antiga Casa do Padre - também conhecido como Casa Grande ou Casa Mãe - ficam a recepção, diversas salas de estar, um honesty bar onde cada um se serve e assenta o que consome, e um restaurante.
|
|
|
|
Se durante a semana, ao almoço, terá que procurar uma mesa nos restaurantes de Évora, ao jantar, inclusive de sábado, deixe-se ficar pelo restaurante do hotel, dirigido por Duarte Laranjinho, que aplica o saber regional nas suas receitas.
As paredes exibem engenhosamente, através de um sistema de suspensão, uma colecção de loiça Companhia das Índias que não deixa indiferentes os comensais. Com bom tempo, a área de mesas poderá expandir-se para o pátio, vizinho do pequeno jardim de traça árabe.
A fé dos homens
O hotel nasceu em redor de uma igreja setecentista dedicada à padroeira dos militares e notável por ter no seu acervo milhares de ex-votos. Possui - segundo os proprietários - a maior colecção da Península Ibérica (cerca de 2000), iniciada em 1754 e que foi crescendo ao longo de séculos, nomeadamente em alturas de conflito armado.
|
|
|
|
O templo só deixou de receber as imagens pintadas à mão em pedaços de metal e madeira - agradecimentos pelos milagres concedidos - em 1995, altura do mais recente.
Desde essa data, são sobretudo fotografias e ceras que expressam uma fé na santa que perdura até aos nossos dias e que anima o dia da festa, fixado sete semanas após a Páscoa, com direito a procissão e romaria.
Sem nunca ter ficado ao abandono ou sequer necessitar de reconstrução, a ermida passou apenas por uma operação estética a nível de pintura, limpeza e restauro de madeira.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
2008-01-23
|