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A boa vida de Marialva
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Uma aldeia que se soube perder no tempo. Pelas ruas de Marialva cruzam-se casa velhas, gente antiga e histórias de outros tempos. Fora das muralhas, um magnífico e confortável turismo de habitação.
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Nuno Maia
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Em Marialva o tempo parou num século longínquo. É essa a sensação que se tem quando chega a esta pequena aldeia do concelho de Mêda, classificada como uma das doze históricas de Portugal. Hoje sobram-lhe cerca de 200 habitantes, na sua maioria idosos. A escola, da primeira à quarta classe, é frequentada apenas por cinco alunos. E não é preciso estar-se muito bem informado para se saber quantos imigrantes, que em tempos partiram em busca de um sonho, decidiram este ano ficar de vez em Marialva.
Uma aldeia de encantos, a fazer lembrar um daqueles quadros que as avós costumam guardar religiosamente na sala de visitas das suas casas. |
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Casas do Côro
Antes de partir à descoberta das histórias que Marialva tem para contar, é necessário encontrar um sítio agradável para se instalar. E nem é preciso procurar muito. Basta seguir as placas que desde a chegada a Marialva conduzem às Casas do Côro. O caminho é a subir, mas não faz mal. A beleza e simplicidade do cenário de ruas estreitas e pequenas casas em granito, fazem esquecer tudo o resto. Inclusive que se está a guiar. Poucos instantes depois chega-se então às Casa do Côro. Totalmente reconstruídas a partir de antigas habitações que se encontravam em ruínas, o lugar é absolutamente de sonho. O sossêgo e o conforto deste turismo de aldeia, provavelmente um dos mais agradáveis de Portugal, anunciam noites descansadas. Na casa central, onde moram os proprietários, o bom gosto é a palavra de ordem. Os quartos são agradáveis e das janelas a vista sobre a aldeia é deliciosa. Quem procura um pouco mais de privacidade, pode optar por uma das outras cinco casas, um pouco mais isoladas, e que estão igualmente à disposição de qualquer hóspede. O preço não é proibitivo. |
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Como se não chegasse, a gastronomia é outra das virtudes da Casa do Côro. Tentando utilizar somente produtos da região, comer umas migas de bacalhau com azeite de Marialva pode tornar-se numa experiência inesquecível.
Passeios pela aldeia Por falar em comida, no dia seguinte, o pequeno almoço servido na sala de jantar marca o início da actividade. A visita a Marialva, para não se andar para cima e para baixo, pode começar precisamente no interior das muralhas situadas ao pé das casas. Aqui a povoação é cada vez menor, e enquanto se espera por uma recuperação, as habitações vão-se degradando. Mesmo assim ainda é possível visitar alguns monumentos importantes como a Igreja de São Tiago, ou os vestígios do antigo tribunal e da cadeia. |
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O passeio, a pé claro, continua fora das muralhas. É aí que vive a grande maioria dos habitantes da aldeia. E é também aqui que está a casa do Marquês de Marialva, e a capela de S. João. Mas o melhor é avançar-se, e ao longo do percurso ir conversando com os velhotes, que sentados à portas das casas, vão esperando calmamente que termine mais um dia.
É nessas conversas que se ficam a conhecer tradições e lendas da terra. Como curiosidade, fica-se a saber, por exemplo, que em 1179 “quem fosse viver ali com dívidas, seis meses depois elas caducavam”, ou “ o que raptasse uma rapariga fora da vila e ali se acoitasse pagaria apenas 300 soldos”. Verdadeiras ou não, a realidade é que são estas histórias que vão mantendo viva, uma aldeia que pela sua localização geográfica teima em não avançar no tempo. Ou em avançar pouco. |
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2001-10-03
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Em Albergaria-a-Velha toma-se o IP5. Sai-se em direcção ao Pinhel pela estrada nacional 102 e segue-se as indicações até Marialva.




