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 | REPORTAGEM |  | |
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2ª Parte - Castelo de São Jorge
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N'Dalo Rocha
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2003-02-17
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Lisboa à vista
Em frente a estas duas ruas, fica a bonita Praça de Armas. À entrada, atravessa-se o sólido portão de ferro onde está um posto turístico, sempre útil para a obtenção de brochuras.
Na Praça de Armas, com frondosas sombras proporcionadas pelos inúmeros pinheiros mansos, destaca-se a estátua de D. Afonso Henriques. Daqui, já se vislumbra uma panorâmica muito boa sobre Lisboa e o Tejo. Caminhando um pouco mais, abeiramo-nos à muralha, junto aos velhos canhões de ferro. Tempos houve em que os telescópios de moedinha que por aqui existiram funcionavam, satisfazendo a curiosidade a quem cá vinha. Infelizmente, hoje, quem não traz binóculos limita-se a observar a cidade a olho nu. E se assim for, seria injusto queixarmo-nos pois, temos simplesmente Lisboa aos nossos pés. A norte, não muito longe, vê-se a colina da Graça, e depois à medida que vamos girando a cabeça num movimento periscópico, varremos o horizonte em direcção à Avenida da Liberdade, o Rossio, os Restauradores, a Baixa, o Bairro Alto, o Terreiro do Paço, Belém e a 24 de Julho. E como não podia deixar de ser, dominamos também o Tejo, praticamente desde a barra até aos confins do Estuário, assim como a Ponte 25 de Abril, e mesmo lá em baixo, Alfama e Santa Apolónia. Dá para pensar que se hoje consideramos a panorâmica muito apelativa, o quão importante seria no século XII, quando a pólvora ainda não tinha sido descoberta pelos europeus e as guerras eram luta corpo a corpo? Aos poucos, vamos seguindo a muralha em direcção ao castelo, e pelo caminho, encontramos ainda os arcos de pedra, onde se pensa ter funcionado a prisão.
O Castelo antigo
Finalmente paramos diante daquela que foi a fortaleza original. Atravessa-se o fosso através de uma ponte que terá sido levadiça e já teve água, entretanto substituída por relva. Mesmo assim, não impede que alguns patos e pavões por ali andem, como se não tivessem nada que fazer. Digamos que são a prata da casa e já perderam há muito o medo pelos estranhos. Pode-se aproximar à confiança.
Seguidamente, entra-se na Torre Ulisses, a maior e mais sólida de todo o Castelo, onde a vista ainda é mais completa que nos canhões, estendendo-se a 360º sobre Lisboa. E se achar que é insuficiente aquilo que os seus olhos lhe revelam, aproveite já que se encontra na torre Ulisses para visitar a câmara escura, onde foi instalado uma espécie de telescópio que reflecte as imagens de Lisboa sobre um espelho. Pena é que só funcione durante o Verão.
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Desce-se as escadinhas e continua-se a explorar os pátios, que não têm muito para oferecer aos visitantes. Apenas paredes despidas, com escadas de pedra pelas quais se acede às ameias dos muros. Nem parece que durante mais de 150 anos aqui estiveram instalados quartéis militares e a primeira sede da Santa Casa Pia de Lisboa. Desses tempos nada sobrou, após a intervenção feita nos anos 40, para comemorar os 800 anos de história de Portugal. Andando de pátio em pátio, é provável que encontre uma réplica em miniatura de uma caravela quinhentista que faz também as delícias das crianças. Por fim, acabamos por sair e voltar ao pátio exterior. Com pena ficamos é de não podermos visitar a famosa porta de Martim Moniz, o aio de Afonso Henriques que se atravessou na própria porta impedindo que esta fechasse. E foi isso que possibilitou a conquista do Castelo por parte dos cristãos. A caminho do Arco de São Jorge, ainda há tempo de se parar no café do Castelo e fazer a merecida pausa na esplanada, enquanto se olha quem passa. Ah, boa vida de turista.
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| 1ª Parte - Castelo de São Jorge |
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BREVE HISTÓRIA DO CASTELO DE SÃO JORGE
Edificado a partir de uma fortificação visigoda, que por sua vez aproveitou a antiga fortificação romana no tempo em que a cidade era conhecida por Olissipo, a fortaleza que viria a originar o castelo foi transformada em alcáçova pelo árabes quando dominaram a Península Ibérica, nascendo assim o castelo primitivo em meados do século X. Em 1147, D. Afonso Henriques, com cerca de 300 homens e mais a ajuda de 150 cruzados que se dirigiam para Jerusalém, com o intuito de libertarem a terra Santa, tomaram de assalto Lisboa. Na época, a cidade não era mais do que o Castelo, contando com mais algumas casas que se estendiam pelas encostas, onde se encontrava o bairro islâmico, local onde viviam todos aqueles que trabalhavam na alcáçova. Mesmo assim, os combates foram violentos e culminaram com a vitória dos cristãos. Como compensação pela ajuda prestada, os cruzados tiveram o direito de saquear a cidade durante três dias e três noites, apanhando para si todas as riquezas que pudessem encontrar. Já no século XIII, D. Dinis decidiu transformar o Castelo de São Jorge em Paço Real, na época em que Lisboa se tornou a capital do reino. E até ao reinado de D. Manuel I no início do século XVI, foi no Castelo que funcionaram os Paços Reais. Em 1502 era no Castelo de São Jorge que se testemunhava o nascimento do teatro português pela mão de Gil Vicente. E foi também em plena época expansionista que aí se construiu a ermida do Espírito Santo, local de peregrinação dos marinheiros que rumavam a Oriente. Em 1755, nem o São Jorge impediu que o Castelo se desmoronasse parcialmente com o terramoto que assolou Lisboa. A partir de então, já não desempenhava as mesmas funções defensivas que tinha quando foi conquistado por Afonso Henriques. O mundo tinha evoluído e já se tinha descoberto a pólvora, daí que se colocaram alguns canhões. Mas como era um recinto amplo e bem localizado, foi escolhido pelo Intendente de Pina Manique para aí então instalar a primeira sede da Real Casa Pia de Lisboa. Na década de quarenta do século passado, sofreu reformas profundas, para comemorar o oitavo centenário da fundação de Portugal e adquiriu mais ou menos o aspecto que ostenta actualmente. Daí que se justifique a falta de vestígios humanos, casas e outros afins nos seus pátios, que foram escrupulosamente limpos e até da antiga prisão que por aqui existia pouco restou. O actual Castelo de São Jorge estende-se por uma área total de 6000 m2 e apresenta uma forma irregular, mais próxima do quadrilátero. Esta fortaleza conta com um total de 10 torres entre as quais se destaca a torre de Ulisses na muralha sul, a maior de todas. Depois, também há a torre do observatório que ficou famosa em 1779, por aí se ter instalado o primeiro observatório astronómico de Lisboa. A sul e a nascente, existe ainda um fosso que protege estas muralhas, por se considerar estas as zonas mais débeis do Castelo. E a norte a porta de Martim Moniz, o lendário aio de Afonso Henriques que se entalou na porta, permitindo assim a conquista da cidade.
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CHEGAR AO SÍTIO
A partir da Praça do Rossio, siga pela rua do Ouro e vire à esquerda na rua de São Julião e siga as placas que indicam Sé. Continue sempre a subir e quando passar o Miradouro de Santa Luzia, pode deixar o carro no largo das Portas do Sol. Depois o melhor é ir a pé.
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DORMIR DESCANSADO
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