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2ª Parte - Monforte
   
N'Dalo Rocha
   

Ruínas Romanas de Torre de Palma

Relativamente próximo de Monforte encontram-se as ruínas romanas de Torre de Palma, também conhecidas como vila Basilii. Ficam no meio do campo e ainda se fazem dois quilómetros de terra batida para lá chegar.

Ao longe, pouco ou nada se vê, pois restaram apenas as fundações dos edifícios e a únicas casa que existem são as dos arqueólogos. Deste modo, é indispensável fazer a visita guiada para perceber toda a organização desta vila que foi uma gigantesca exploração agrícola há 15 séculos.

Calcula-se que esta vila tenha tido uma área com cerca de 200 hectares dividida entre as áreas residenciais dos proprietários (pars urbana) e da criadagem (pas rustica) para além dos armazéns, lagares de azeite, currais e estábulos. Havia templos e até uma igreja paleocristã, que foi das últimas construções da vila antes de ser abandonada. 

   

Apesar das explicações da guia, é necessário puxar um pouco pela imaginação para se vislumbrar o que seria um belo átrio interior, relvado, com uma fonte, rodeado por colunas que suportavam o tecto. Hoje, apenas as bases das colunas ficaram mas se tiver lido os livros do Astérix, torna-se mais fácil.

E a visita termina no ex-líbris que é o baptistério forrado a mármore, considerado o mais antigo da Península Ibérica. Trata-se de um pequeno poço com um metro de profundidade escavado na terra e forrado a mármore, para não deixar a água escapar. 



REPORTAGEM ACTUALIZADA EM NOVEMBRO DE 2009

   
   
   
   
   
   
   
   
   
 
1ª parte - Monforte

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A LENDA DOS ABEBEROS

Quando o jovem rei D. Pedro V subiu ao trono, decidiu conhecer o país percorrendo-o de norte a sul e planeou também visitar Monforte. Quando foi anunciada a tal visita régia, toda a cidade se preparou para receber o monarca. Haveria festa, alvorada com foguetes a filarmónica a percorrer as ruas e o cortejo de oferendas no qual cada qual deveria brindar o monarca com o melhor que tivesse.

Os mais abastados ofereceriam um carro de pão ou uma parelha de cavalos, ou então uma junta de bois, sabendo de antemão que a magnitude régia encaminharia para a Misericórdia e restantes instituições de caridade tais oferendas.
Mas a Câmara de Nossa Senhora que era uma instituição pobre e atravessava também um período de grandes dificuldades económicas, decidiu também brindar o rei com uma oferta. E como o dinheiro era um bem escasso e não existia nada mais do que uma figueira e um pinheiro no quintal, a solução encontrada foi uma cesta de figos coberta por um guardanapo de linho. Depois, era necessário encontrar alguém bem falante que pudesse transportar tal presente à presença de sua majestade. Foi encontrado o homem indicado, que por sinal até era coxo. O problema foi resolvido e assim se determinou o que seria feito até ao dia da visita.

Quando chegou o dito dia, o Rei, encontrava-se sentado num palanque à medida que um arauto ia chamando os ofertantes. Assim foi até chegar a vez da Câmara de Nossa Senhora. O coxo de boas falas, aproxima-se e avança para o Rei. Ajoelha-se em sinal de respeito e decide abordar o soberano da seguinte forma:
“Muito forte está Monforte com VOSSA ALTEZA aqui, se não fosse VOSSA EXCELÊNCIA, Monforte não estava assim. A Câmara de Nossa Senhora manda a VOSSA SENHORIA esta cestinha de figos para VOCEMECÊ comer!
O Rei, surpreendido pela prenda e pelo paleio do coxo ainda pergunta:
- Há muitos figos cá na terra?
Ao que o coxo responde:
- Hão tantos que até se cevam os porcos com eles! E o Rei não se conteve. Chamando o arauto, brandou:
- Ó mordomo, atire-me as calças abaixo a este patife, e ferre-lhe com os figos no C. Antes que ele me trate por TU.

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