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2ª Parte - Tapada da Ajuda
   
Paula Oliveira Silva
   
Olhando para a sua planta, de imediato nos apercebemos da semelhança com uma grande ave de asas abertas em voo lançado rumo ao Tejo. Apesar de no interior estar muito delapidado, mais pelo tempo que pelo uso, este Palácio de Cristal continua a ser um esplêndido local de eventos culturais, sendo possível alugá-lo.

Este é o lado mais construído da Tapada. A antiga cocheira funciona agora como sala de aulas, na vacaria, com relógio no tímpano e campanário, está o departamento de Zooténcica e a abegoaria, local destinado a recolher o gado e os utensílios do campo, serve de instalações a Arquitectura Paisagista. Tudo a uso, portanto, o que faz com que não se possa entrar para dar uma espreitadela.
   
Ainda na vizinhança, um chalé, onde terá vivido a rainha D. Amélia I. Aqui está a Secção de Agricultura do Departamento de Produção Agrícola e Animal.

As restantes construções são de habitação de antigos trabalhadores da Tapada e alguns desalojados aquando da construção da Ponte 25 de Abril. Assim se nota pelo ladrar furioso dos cães de guarda, da roupa estendida, dos pequenos quintais e jardins floridos.

Já nos espera a Alameda das Oliveiras. No cimo fica o Miradouro de Salazar, nome pouco poético tendo em conta as belas vistas que daqui se abarcam. Não é de todo estranho aos casais apaixonados... A cidade, o rio e em dias claros até se avista Arrábida e Palmela. É sempre assim, nos pontos mais altos, onde as copas das árvores não roubam a visão, abre-se a paisagem às vistas fartas. O silêncio é de tal ordem que origina uma paragem mais prolongada.
   
Este é um dos pontos mais altos a 135 metros de altitude e é facilmente identificável pelo revestimento a azulejos azuis e brancos dos anos 40. Mesmo ao lado se encontra um dos marcos geodésicos mais antigos do país e do outro, um importantíssimo monumento vegetal, a Reserva Botânica de Zambujeiros, uma espécie de oliveira brava. Um pequeno bosque de vegetação nativa e exemplar único da flora mediterrânica, se exceptuarmos a Arrábida.

Para trás ficou a Lagoa Branca, completamente seca, e o moderno auditório construído com vista para ela, ideal para congressos ou outras actividades de índole técnica e cultural.

O percurso continua por entre uma zona destinada à aventura e ao desporto. São os campos de futebol de cinco e de sete, dois campos relvados para jogar râguebi e a zona destinada ao paintball.

Na antiga Geradora de Electricidade dos Paços Reais, onde funcionam as aulas de Máquinas Agrícolas encontra-se um pequeno núcleo museológico de alfaias, à espera de conservação.
   
E ainda há mais caminho para percorrer, com lagos onde chapinham patos e coaxam rãs. Ao pé de um desses está um banco convidativo, que à sombra, parece chamar-nos pelo nome. Tem o nome de Junot, uma lembrança da passagem do general francês que, aquando das invasões, se instalou no Palácio Nacional da Ajuda. Dizem que aqui se sentava tranquilamente para apreciar o pôr do Sol na barra do Tejo. O resto do percurso já nos é familiar.

Isto é a Tapada da Ajuda. A sensação de estarmos no campo mas com um olho sobre Lisboa e o rio.



Breve História da Tapada:

Coincide com o início da dinastia de Bragança, no reinado de D. João IV. Foi-lhe atribuído o nome de Tapada de Alcântara e assim se chamou até ao tempo de D. João V, havendo registos das caçadas aqui efectuadas. Com a mudança dos monarcas, após o terremoto de 1755, para o Alto da Ajuda, passou então a denominar-se de Tapada da Ajuda.

Nos séculos seguintes, com a extinção da caça intensificou-se o cultivo da terra. Os edifícios aí construídos, caso do Observatório e Pavilhão de Cristal, relançaram um interesse público.

Com a implementação da República, a Tapada fica sem dono, sendo no final desse mesmo ano, 1910, cedida ao ISA.
   
   
   
   
   
   
   
 
2005-06-28
1ª parte - Tapada da Ajuda

Informações Úteis

INFORMAÇÕES ÚTEIS

PERCURSOS

Há três percursos à escolha pela Tapada. No da Tapada, predominam os aspectos históricos e arquitectónicos, havendo por isso, um especial interesse nos edifícios mas onde os espaços verdes estão sempre presentes.

No Percurso da Natureza são as minas de água que abasteciam a Tapada e outras quintas e palácios e ainda servem para rega de algumas hortas, os jardins que ao longo dos tempos foram sendo criados e a reserva botânica que vão estar em destaque.

Finalmente o Percurso Agronómico, um passeio pelas áreas agrícolas, florestais com pinceladas de arquitectura paisagista da Tapada. Uma vertente mais técnica que aborda temáticas relacionadas com os cursos ministrados pelo Instituto Superior de Agronomia. 

Os passeios podem incluir almoço no restaurante, churrasco ou piquenique.

Morada: Instituto Superior de Agronomia, Cç da Tapada, Lisboa
Tel.: 213 653 553
Fax: 213 653 238
E-Mail: tapadapercursos@isa.utl.pt
URL: www.isa.utl.pt/tapada
www.espacosdatapada.com
http://www.isa.utl.pt/acesso/isa.htm

Preços: A partir dos 5€ por pessoa e sem refeição.

Com visita guiada, entrada gratuita para os carros que ficam estacionados junto ao edifício principal do ISA.

Como Chegar:
Eléctrico n.º18
Autocarros: 20, 24, 42, 60.

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