Passeio de varino no Tejo - Moita

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Varino

Embarcações tradicionais da Câmara Municipal da Moita

Animação Turística | Circuitos Turísticos

A Câmara Municipal da Moita possui dois exemplares de embarcações tradicionais do Tejo que foram recuperadas para passeios turísticos: um varino "O Boa Viagem" e um bote de meia quilha "A Pombinha". Ao longo do ano são promovidos vários passeios fluviais a bordo do varino.

Localização Moita
2860-702 MOITA

Distrito: Setúbal
Concelho: Moita
Freguesia: Moita
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Observações: Os interessados devem consultar o site da Câmara Municipal da Moita e efectuar as inscrições através do Posto de Turismo, via email ou telefone.



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Passeio de varino no Tejo - Moita
O Boa Viagem conhece agora carga mais ligeira, levando os passageiros em passeio pelo Tejo.
   
T. Alda Rocha | Fotos 1, 4 e 6 Câmara Municipal da Moita | Fotos 2, 3 e 5 Alda Rocha
   
A sabedoria popular manda que nos aviemos em terra mas, em tempo de lazer, nem sempre o bom senso está desperto, daí o lembrete. Esperam-no três horas de navegação que mesmo de estômago recheado acabarão por cobrar algum reforço.
   
Não se esqueça da água e tenha o cuidado de pôr protetor solar antes de entrar a bordo que, por mais fresco que lhe pareça, o sol é inclemente. Um agasalho também não é de mais, pois a mesma brisa que disfarça o calor, pode arrefecer-lhe o ânimo. De recomendações básicas estamos conversados, que o barco é antigo mas tem WC.

Antes de levantar amarras, falta apenas fazer a chamada, para saber se há quem se quede por terra. O Boa Viagem leva 47 pessoas, além da tripulação de três homens, entre mestre e dois marinheiros. Os passeios decorrem de abril a outubro, com tempo de feição, em horas que variam com os caprichos da maré. Também há voltas de grupos que duram todo o dia, basta combinar atempadamente. É sempre recomendável consultar o site da Câmara da Moita, à qual pertence a embarcação, para se saber os pormenores, sendo que os preços dos passeios de três horas vão de 1,79 euros (6 a 12 anos) a 3,58 (13 em diante).
   
É chegada a hora de zarpar, enquanto o mestre, João Gregório, faz as honras a bordo, ficando Paulo Guerreiro como homem do leme. Mestre João cativa os passageiros desfiando histórias do rio, sob o olhar particularmente concentrado dos miúdos. Já houve um tempo em que estes barcos eram fundamentais a juntar as duas margens do Tejo. Carregavam pedras e areia, produtos hortícolas, bem como cortiça, havendo um lugar particular ocupado pelo sal. Nestas margens, a sul, perfilavam-se diversas salinas e os varinos eram exímios a chegar bem perto de terra. De fundo chato, sem quilha, conseguem a proeza de navegar em águas muito baixas.

Saber partilhado

A informação vai sendo partilhada por João Gregório, enquanto o varino vai seguindo caminho nas águas mansas do canal. Para trás ficou o cais da Moita, assente em estacaria de madeira já no ano de 1722. Está perfeitamente alinhado a norte, de onde sopram os ventos dominantes, e é nessa direção que segue ligeiro O Boa Viagem, até à ilha do Rato.
   
A aula prossegue, fazendo coincidir os pontos cardeais com a paisagem. A aldeia de Gaio-Rosário surge a nascente, aparecendo pouco depois o acesso a Alhos Vedros, ainda que a marinheiros inexperientes a margem pareça contínua. Lá, está um moinho de maré, dos poucos resistentes, a merecer visita exclusiva noutra data.

Aos poucos o olhar vai aprendendo a reconhecer os sinais da Natureza, seguindo as recomendações de quem sabe. Percebe-se a agitação das águas ainda ao longe pela espuma, a cintilação visível num edifício também pode indicar a intensidade do vento… As dicas vão-se somando, enquanto se constrói uma nova perspetiva das terras vistas a partir do rio.

O mestre vibra enquanto desafia a plateia mais nova com mais uma sessão de perguntas, desta feita sobre os misteres que se juntam para construir uma embarcação.
   
Desfilam o carpinteiro, o pintor, mas também o ferreiro e, menos imediata, o calafate, responsável por impermeabilizar as madeiras para que tudo corra pelo melhor dentro de água. Por último, o fragateiro, assim chamado o marinheiro desta e de outras embarcações tradicionais do Tejo.

Embalados pelo vento

Os contornos de Lisboa começam a ganhar nitidez no horizonte, quando a Base Aérea do Montijo se aproxima. Numa ponta, ergue-se um farol de grande estima para os homens dos barcos. No regresso, sabem que entraram em águas mais calmas, esperando-os bem perto a sua casa. O Boa Viagem segue em sentido oposto, saindo do efeito protetor da margem sul. É chegado um dos momentos altos: com o motor desligado, o silêncio é contagiante. Não é apenas a ausência de ruído mecânico, há um sentimento de devoção que leva a baixar o tom, enquanto os esforços se concentram a desfraldar a vela.
   
Desfalcada de um homem, de férias, a tripulação conta com a ajuda preciosa de Pedro Mendes, o Borda d'Água, que conhece bem os caprichos do rio. Mas não faltam braços a oferecerem-se para caçar o cabo e esticar a vela. Navega-se ao sabor do vento, que chega de través, quando o mestre lança o aviso para que ninguém se assuste com a agitação que se aproxima. O catamarã de transporte regular de passageiros está perto, provocando uma onda distinta à sua passagem, quando sulca as águas. Serve de pretexto para se falar de ambiente e sapais, ecossistemas sensíveis, que servem de abrigo de uma grande diversidade de aves como os corvos-marinhos.

Aqui o Tejo alarga-se não parecendo um rio, ganhando o curioso nome de Mar da Palha. Diz-se que as correntes concentravam muita vegetação nesta zona do estuário, vinda das lezírias do Ribatejo, inspirando-lhe o nome. A voz corrente conta também que se deveria aos fardos de palha atirados borda fora, para aliviar o peso, quando a tempestade atingia as embarcações. Mas a bordo não há espaço para pensar em águas agitadas, enquanto o embalo do vento vai serenando os passageiros. Bem, uma parte deles.
   
Os mais pequenos andam de roda do mestre num virote. Tomam a força do leme para saber que não funciona como os guiadores das bicicletas. Se gira à direita - em uníssono respondem "estibordo" -, sabem que o varino segue para bombordo, fazendo o oposto na manobra inversa. De certo lembrar-se-ão de como se encontra o caminho de regresso. É preciso levantar o olhar até encontrar o castelo de Palmela, depois, seguindo em linha reta até à cota do rio, cá está, aninhada na margem, a Moita, séculos idos, do Ribatejo.
   
   
   
   
 
2012-08-09

Informações Úteis

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