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2ª Parte - Show Boys & Girls
   
Paula Oliveira Silva e N´Dalo Rocha
   
Strip misto

Para uma noite de quarta-feira, a casa está composta. Enquanto as estrelas da noite não chegam, divertem-se os astros menores que dançam que aproveitam o seu momento de glória. As ladies night têm esse dom, dão às mulheres, para atrair os homens. E estão a ter tal sucesso que a meio da semana acontece uma casa estar cheia, apinhada de gente. No Café da Palha, no Parque das Nações, há agora um último motivo que leva homens e mulheres a estas paragens: o strip misto.
   
Dá-se a chamada dos strippers ao palco. Bailarinos ocasionais cedem o lugar. A ansiedade atinge o auge. A música muda radicalmente, a luz é outra. Varão não existe por razões óbvias, o único apetrecho que ali é colocado para auxiliar na tarefa é uma cadeira. O casal, porque casados de verdade, vêm fantasiados e a canção condiz. Primeiro uma dança conjunta, depois há um que se ausenta para deixar brilhar o outro. A cadeira vai servindo como “table dance” do felizardo(a) que calhar em sorte. Primeiro ele. Ela, a fugaz escolhida, faz-se de envergonhada, mas na verdade colocou-se à frente propositadamente, aconselhada pelas amigas provavelmente mais frequentadoras.

O corpo trabalhado dele intimida e atrai. A rapariga não toca, olha apenas. Ele quebra o gelo, pegando-lhe na mão e escorregando-a por todo o corpo. A primeira vez a mão vai acompanhada, da segunda o trabalho é só dela. A camisa é tirada sem grande esforço e colocada no peito dela, entre o soutien (se o levar) e a camisa. Para a próxima, já sabe… O toque sensual: ele aconchega a camisa. Muitas mulheres queriam ali estar. Os homens com certeza que dispensam, mas a vez deles há-de chegar.

As perneiras das calças num só gesto abrem-se em duas. As mãos continuam a passar-lhe pelo corpo. Ele desliza no chão, coloca-se de joelhos, rasteja a seus pés. Passa-lhe por trás, ela olha, como que a chamá-lo, e ele volta. Depois de tudo isto, chega a parte mais esperada: o tirar a tanga. Ele faz de um lado e pede-lhe que seja ela a tirar a outra alça. Pormenor, com os dentes. No final, ela que provavelmente pensava ver tudo em primeiro plano, vê a mão dele, que tanto lhe mostrou, tapar agora os pudores e as vergonhas. Desenganem-se meninas, que com os homens é só sedução.

Agora, ela. Ainda bem que chegou. Não aguentávamos mais os tipos que ficaram atrás de nós. “Outra vez ele?” Agora é a vez dos senhores se chegarem à frente. O casal de strippers vem duas vezes ao palco e faz uma dança mista, seguida de strip em separado. Aqui a tendência cavalheiresca inverte-se (por isso é que os de trás reclamavam, por uma questão de educação, nada mais). Primeiro eles, depois elas. Utilizam fatos e fantasias muito diversos, de diabo, de esqueleto, a diferença é que aqui sabemos como isto vai terminar. Sem máscara alguma.
   
Uma mulher deve ser como a Irina, nunca descer do salto. Ser capaz de fazer a esparregata e de seguida estar pronta para outra acrobacia qualquer. Esta rapariga encanta. Bonita, elegante e sensual. Escolhido o parceiro de dança, pouco depois a roupa começa a ficar caída pelo chão. Ele tem as mãos agarradas aos pés da cadeira. O mais longe possível para não haver tentações. Em caso de dúvida, o segurança certifica-se que as normas estão a ser cumpridas. Ele só toca quando ela quer. Mas pior que uma final de futebol do nosso clube do coração, é ter uma mulher daquelas ao colo e não lhe poder tocar, pensamento partilhado por 300% dos homens ali presentes. Mas ela é uma deusa e depois de tirada toda a roupa, vai continuar a dançar e a enfeitiçar os homens, como que num passo de magia.

Strip masculino

Para as mulheres que dispensem ver as suas semelhantes sem traje algum, o indicado é um clube de strip exclusivamente dedicado a elas. Quem quiser ver um espectáculo à séria, que inclui moças animadas aos gritos, sem timidez ou pudor, vai ter de ir a uma sexta-feira, sábado ou domingo.
   
Os tons rosa da decoração e os vidros são a decoração básica da casa Passerelle2, já que a 1 é dedicada a eles e assim ninguém se zanga. Cada um no seu canto e pronto. O mister é apresentado. Para-se o que se fazia antes, de dançar, de conversar, seja o que for, apenas o copo merece a atenção da mão e o rei, do nosso olhar. Porque se desviarmos um segundo que seja, perdemos o momento da tirada da roupa e o pessoal não está propriamente aqui para ver dançar, embora haja muito boa gente que diga que sim.

Eles vêm para o palco mais vestidos do que elas. Como pelo menos em Portugal não é usual o nu integral, eles vão ter de fazer render mais o peixe do que elas. Ainda assim meninas muita atenção que eles podem surpreender. Até usam fardas e tocam castanholas. Quase todos os fetiches são aqui saciados menos o uso do bigode, para as senhoras mais velhas.

Ele já está no placo. Dois temas musicais são suficientes para cada actuação. Calções de ganga rasgados que custam mais a despir ou calça instantânea das que em segundos se transformam em nada. As nossas companheiras da mesa ao lado arriscaram pedir um table dance e uma dança em privado. As mulheres pagam para terem mais alguns quilos em cima.

Em contrapartida, aqui há varão, mas… para que quererão eles um símbolo marcadamente masculino? A resposta vem depois de um show electrizante levado a cabo pelo Steve. Raparigas, este é bom na barra e acreditem que pode ser bastante sensual, fazer umas piruetas lá no cimo, a cerca de dois metros do chão, de cabeça para baixo ou com ela para cima. É por estas e por outras que no dia seguinte elas comparecem aos respectivos empregos cheias de sono e com olheiras de meio metro e se calhar ninguém pensou no porquê.


Brincadeiras de meninos
   
Show Girls – O Avião

Talvez por estar à vista de toda a gente que parte de viagem pela A1 ou chega a Lisboa, já faça parte do imaginário de muitos alfacinhas que volta e meia comentam “Eu tenho que ir ao Avião”. E se lá for não se surpreenda se à porta ouvir: “Bem-vindos a bordo”. É o proprietário que nos cumprimenta. São duas da manhã e acabamos de entrar no velho Boeing 707 que está há quase 20 anos estacionado junto à Av. Cidade do Porto.

Para trás ficou o simpático homem de farda azul de lapelas amarelas e boné. Um detalhe acolhedor. Subimos com ansiedade as escadas que nos conduzem ao interior da fuselagem deste avião estreito e comprido. O palco, está sensivelmente ao centro, com o chão de madeira e o indispensável varão. E se pensam que é pequeno, desenganem-se. As meninas penduram-se e debruçam-se no dito cujo.

É que quem nunca lá entrou, muito especulou sobre o assunto. “Será que há espaço para as meninas dançarem?” As bailarinas são hábeis, porém dentro das casas do género, não serão as mais elegantes que se podem encontrar. De qualquer modo, vale a pena lá ir, até porque não voamos todos os dias, ainda para mais num avião destes.
   
Savana Club

Numa rua atrás da Assembleia da República encontramos uma das mais recentes casas de strip de Lisboa, o Savana.

Entra-se descobre-se que as coisas estão calientes. No palco, jaze indefeso um pobre homem de boxer, com as mãos amarradas atrás das costas, presas com o seu próprio cinto ao varão. A música não podia ser mais apropriada. You can leave your hat on, do filme Nove Semanas e Meia, enquanto duas bonecas se despem à sua frente. A mais baixa, talvez por ser a mais flexível, aterra em cima da bacia do homem após uma impressionante esparregata no ar. Digno dos jogos olímpicos! O público vai ao rubro. A determinada altura, é o bumbum da moçoila que rebola a escassos milímetros da cara do homem, que se estica todo para lá chegar, mas não consegue. As veias dilatam-se de tamanho esforço e o público ri e delira.

Findo o show, mais uma surpresa que poucas casas têm: show especial. Desta vez, todas as meninas percorrem gratuitamente as mesas dos clientes para acabarem no palco como deus as trouxe ao mundo. É de tirar a respiração.
   
   
   
Photus

Na cave de um centro comercial ao pé do Técnico, encontramos outro clássico da noite, o Photus. Nas paredes, ecrãs que passam vídeos da Playboy que nos distraem enquanto as meninas, sempre elegantes e bem postas, se revezam no palco. Este, tem forma de L e quem fica sentado junto à entrada, não consegue ver o chuveiro, mas já lá vamos.

As artistas, todas sem excepção usam grandes tacões transparentes e vão mudando de roupa ao longo da noite.

Apesar das table dances também virem no cardápio, a quase totalidade dos clientes prefere os shows privados, apenas cinco euros mais caros, mas desfrutam longe dos olhares indiscretos todos os movimentos libidinosos de uma silhueta esculpida a talha de ourives.

Uma e outra vez, uma loiraça de quase 1.80 metros não pára de entrar e sair dos privados. É a preferida dos clientes, pelo menos naquela noite.

E muitos privados depois, finalmente somos brindados com o que esta casa tem de melhor, o duche. Alguém que decide desembolsar 40 € para dar banho à loira. Troca o fato e gravata por um macacão de mecânico emprestado pela casa.

Depois, em pleno palco, entra para dentro de uma caixa de vidro, como qualquer poliban, mas maior, e começa a tarefa de aliviar os “maus odores” de um corpo de sereia. O público vai ao rubro com tanta espuma, ouvem-se assobios de incentivos e o mecânico continua na sua árdua tarefa de lubrificar o óleo. Muita espuma e água é o delírio total. Ao fim de hora e meia, valeu a pena a espera.
   
   
 
2003-06-03
1ª parte - Show Boys & Girls

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