Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António
Natureza | Áreas Protegidas
Esta reserva foi criada com o objectivo de proteger uma zona húmida com características excepcionais situada próximo do estuário do rio Guadiana, que ocupa cerca de 2000 hectares. Tem a forma de um trapézio cujos vértices são a ponte internacional, a estação ferroviária de Vila Real de Santo António, o cruzamento entre a EN125 e a EN125-6 perto da Praia Verde e Castro Marim. É uma sucessão de sapais, salinas, pastagens e esteiros onde pasta o gado, nidificam aves migratórias (como o perna-longa, símbolo da reserva) e prosperam numerosas espécies de peixes e moluscos.
Sapal de Venta Moinhos - Apartado 7Castro Marim
8950 CASTRO MARIM
Distrito: Faro
Concelho: Castro Marim
Freguesia: Castro Marim
Mais Informações
Responsável: Instituto de Conservação da Natureza/Director: José Carlos Barros
Acessos: Automóvel: EN 122 e 125. Comboio: Estação Vila Real de Santo António.
Área: 2000 ha.
Serviços disponíveis: Centro de Interpretação
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Veja Aqui Mais Perto
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Percurso das Salinas Tradicionais - Castro Marim
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Nos jardins de sal da reserva
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Nelson Jerónimo Rodrigues
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Em plena Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António há um percurso pedestre que em apenas dois quilómetros dá a conhecer os segredos e as tradições do “ouro branco” da região: o sal. Um exemplo raro de harmonia entre o engenho do Homem e o poder da natureza, bem no coração de um dos mais importantes habitats nacionais de aves.
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Há uma lenda algarvia que conta a história de Gilda, a princesa nórdica que adoeceu por causa das saudades da neve. A solução encontrada pelo seu amado, o rei de Chelb (atual cidade de Silves) foi plantar milhares de amendoeiras para que, quando estivessem em flor, dessem a sensação de ter nevado. Mas tal não seria necessário se vivessem no castelo de Castro Marim.
É que lá do alto, entre o casario da vila e o Guadiana, também se pode avistar um surpreendente e geométrico manto branco, feito de marinhas de sal cristalino. Para isso é necessário estarmos na temporada deste produto, que começa no início da primavera e prolonga-se verão adentro. Mas se essa é a altura ideal para fazer este percurso, noutras épocas também não deixa se ser interessante deambular pelo labirinto de pequenos lagos e viveiros (aparentemente) adormecidos. Melhor ainda é juntar as duas coisas: primeiro passe por lá no inverno, e depois revisite o local no verão. Vai gostar de ver a metamorfose das salinas e do sapal. |
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Pés a caminho
O início do percurso faz-se junto ao viaduto que passa por cima da Estrada Nacional 122. É possível estacionar o carro aí mesmo ou deixá-lo do outro lado, junto ao parque infantil. O ponto de partida não tem nada que enganar (está devidamente sinalizado com uma placa) e, por ficar num local elevado, permite avistar os caminhos que iremos percorrer na próxima hora, o tempo estimado desta caminhada. Os metros iniciais são feitos numa estrada de alcatrão (primeiro com uma ligeira descida e depois em terreno plano) mas rapidamente passamos para terra batida, aqui e ali com algum empedrado. À direita avistam-se tanques de água e as primeiras salinas, mas estas estão desativadas. Nas proximidades ficam meia dúzia de hortas e alguns pombais tradicionais que tornam a paisagem mais colorida e pitoresca, embora tenham os dias contados porque foram construídos numa área protegida. |
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Santuário natural
Algumas dezenas de metros depois viramos à direita e começamos a encontrar as primeiras aves que habitam este recanto da reserva. A maioria prefere andar pelas redondezas das salinas, até porque sabe que em nenhum outro local terá tanto alimento, fruto do rico ecossistema que as rodeia. No inverno avistam-se muitas garças, patos, cegonhas, flamingos e andorinhas do mar, entre outras aves aquáticas. Já no fim da primavera e no Verão a população diminui consideravelmente mas os especialistas dizem que, para as que ficam, a reserva é um habitat único para nidificarem. É o caso da andorinha-do-mar anã, do perna-longa (símbolo da reserva) ou do borrelho-de-coleira-interrompida. E o mesmo acontece com o alfaiate, que apenas se reproduz com regularidade nesta região do país. Estas e outras aves são apenas a parte mais visível da reserva, mas aqui também habitam e reproduzem-se muitas mais espécies vegetais e animais, como peixes, moluscos e crustáceos. |
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Pesca e sal: artes tradicionais lado-a-lado
Ao fundo da estrada fica um dos muitos braços de rio (Guadiana) que serpenteiam pela reserva. A câmara municipal construiu aqui um pequeno cais e meia dúzia de casas de madeira que servem de abrigo aos barcos e aos pescadores da zona. É frequente encontrá-los por lá, seja a remendar as redes ou simplesmente a conversar, por isso não perca a oportunidade de puxar conversa e fazer-lhes algumas questões sobre este local, porque eles conhecem-no quase de olhos fechados. As salinas principais ficam a dois passos dali, mas para lá chegar é preciso seguir por trilhos mais dispersos e que não convidam a grandes passeios quando chove. Na primavera e no verão a caminhada extra vale bem a pena, já que é lá que melhor se observam os trabalhos nas salinas. |
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Das salinas à mesa
Quem chega às marinhas e vê o sal pronto a apanhar dificilmente imagina que o processo é mais complexo do que parece à primeira vista. Afinal, para que surja nos “talhos” (os quadrados ou retângulos onde se forma o sal) é preciso que a água siga um percurso previamente determinado por tanques compartimentados, aquecendo e evaporando progressivamente. Todos os anos, as marinhas têm de ser limpas e, só depois disso”, em junho, se faz a primeira “raza”. Por estas paragens, a recolha é totalmente tradicional, mas nos últimos anos apostou-se também não produção de flor de sal, pequenos cristais que se formam à tona da água e nunca tocam no fundo da salina. Chefes e gourmets de todo o mundo elogiam-lhe o sabor delicado e transformaram-no num pequeno tesouro culinário com preços cada vez mais elevados. Por isso, aqui fica mais uma dica: pergunte por ele aos produtores dali porque eles vendem-no a preços mais simpáticos. Muitos dos restaurantes do concelho, caso da Taberna Medieval, já não dispensam a flor do sal de Castro Marim. E já que este percurso de pequena rota é bastante acessível, nada melhor que no final continuar a caminhada rumo ao centro da vila e prová-lo à mesa. Depois da refeição, se ainda tiver forças, suba até ao castelo e imagine-se um príncipe ou uma princesa a contemplar a tal “neve” de Castro Marim |
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2012-11-19
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Informações Úteis
Entre a vila de Castro Marim e o Guadiana (com a espanhola Ayamonte à vista) as salinas ocupam mais de um quarto de toda a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.
A produção de sal em Castro Marim remonta à época dos romanos que utilizavam este produto para conservar o garum, um preparado de peixe muito apreciado na época.
No outono e no inverno as marinhas estão alagadas e sem uso, mas tudo começa a mudar com o início da temporada do sal, na primavera. Veja as diferenças nesta e na próxima foto.
Onde antes só havia água, emergiu entretanto uma surpreendente camada branca de sal. A primeira raza (ou apanha) costuma acontecer em meados de junho.
Nem todos os tanques são utilizados para a produção de sal. Outros armazenam a água que, de tempos a tempos, será transferida para o talho de sal.
Mais um exemplo da metamorfose que acontece entre uma salina durante o inverno…
… e uma salina já no verão. O castelo de Castro Marim, esse, permanece imóvel e sereno ano após ano, época após época, século após século…
O sal forma-se nos “talhos”, um conjunto de retângulos ou quadrados separados geometricamente. A última raza costuma acontecer em setembro.
Do outo lado da encosta do revelim de Castro Marim, junto ao cemitério, fica mais um conjunto de salinas, estas dedicadas à produção de flor de sal.
A flor de sal é composta por pequenos cristais de sal que se formam à tona da água e nunca tocam no fundo da água, daí a sula leveza e brancura.
A apanha da flor de sal requer alguma perícia (só se pode apanhar o que está à superfície) e muita paciência. Na foto, o produtor Jorge Filipe Raiado mostra-nos como se faz.
Apreciado produto gourmet, a flor de sal é utilizada por um bom número de chefes de cozinha nacionais. O preço é mais elevado que o sal tradicional mas o sabor e propriedades também são incomparáveis.
Depois de apanhado e ensacado (ou embalado), o sal e a flor de sal estão prontos para seguiram para as cozinhas de todo o mundo. Uma boa parte da produção de Castro Marim já segue para o estrangeiro.
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Sapal de Venta Moinhos - Apartado 7










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